terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Conto 1 - "Onda."




‪#‎Desafioumanodecontos‬

Conto 1 - Janeiro
Andryus McLeood.


“Onda.”


Onda é um pulso energético que se propaga através do espaço ou através de um meio podendo ser líquido, sólido ou gasoso, com uma velocidade definida.

     Estou novamente aqui. Dirigindo no limite do carro, fogos de artificio no horizonte declaram o ano novo. Dia trinta e um termina e não sei ainda o porque estou aqui, quem sou, ou simplesmente para onde vou. Tantas lembranças, tantos acontecimentos que dominam minha mente... Tudo parece mentira, uma ilusão, uma brincadeira de um Deus jocoso contra uma formiguinha. Porém não vai demorar muito, logo perguntarei frente a frente o que "O Todo Poderoso" tem contra mim, o porquê de querer brincar com minha existência dessa maneira.
     Terrível esse último mês, nada faz sentido nessa medíocre vida. Se é que a tenho, se é que realmente é minha. Acordei dia primeiro de dezembro em um luxuoso apartamento no centro da cidade, não me recordava nada antes disso, acredito que devo ter bebido muito ou usado algo muito forte. Pois mesmo forçando a memoria nada vinha, eu lá sentado a beira da cama vendo uma ridícula luminária estilo lava-lamp. Quem realmente compraria algo assim? Tudo organizado, padronizado até... Quadros escolhidos e alinhados, uma estante cheia de livros sobre física, engenharia, química e outros assuntos que não conseguiria pronunciar. No armário roupas de marca, ternos finos, sapatos de várias cores e um para cada ocasião. O único lugar desorganizado era um escritório ou seria melhor chamá-lo de chiqueiro, uma lousa enorme com cálculos e anotações, papeis pelo chão e parede, pedaços de comida e uma infinidade de copos de café. Caminhando naquele labirinto, via desenhos e esquemas de algo como uma maquina futurista ou uma batedeira ultra moderna... Quem realmente eu era? Seria um inventor maluco? Por que tudo era tão organizado menos no trabalho? Não conseguia lembrar de nada...
     Ia ao banheiro e lavava o rosto, sendo sincero, não me reconhecia... Sim, é estranho falar isso, mas devo ser sincero ao menos comigo: não sei quem era o homem que aparecia naquele maldito espelho. Aparentava um homem de meia idade, já com alguns cabelos grisalhos, uma barba longa por fazer, mas de alguma forma, estranha e olhos claros, algo não estava certo... Fora as imagens que via como sonhos, pesadelos em pleno dia, coisas absurdas como se saídas de um filme infantil ou de terror. Voltava ao quarto e via a única coisa que fazia sentido em todo esse pandemônio: um relógio antigo, daqueles de bolso, todo em prata, decorado com desenhos e fios entrelaçados, os ponteiros eram belos e delicados, mas ele era um mistério para mim... Não pelo fato de ser o único objeto que reconhecia, mas a data que ele marcava, todos os calendários vistos até aquele momento marcavam que era dia primeiro de dezembro, porém aquele marcava trinta e um de dezembro e não conseguia ajustá-lo.
     Tentei relaxar, beber mais, ver quem eu era e nada... um fantasma vivo. Numa agenda encontrei uma lista de compromissos e lugares com dinheiro e cartões que podia usar. O nome em todos eles era o mesmo Alexander Balaur, passaporte de viagem e vários esquemas nas paginas. O que mais chamava a atenção era que no meio do mês estava marcado uma reunião ultra importante pois tudo se referia a ela... O que eu era? O que fazia? Perguntas que repetia sem parar, afinal nem a cidade que estava parecia conhecida.
     Saindo pelos corredores além do quarto, via que esse “eu”, Alexander morava em um flat de luxo com serviços de hotel, no centro. Lembro de sair naquele dia e andar pelos arredores procurando respostas, e só encontrava mais dúvidas. Em uma banca comprava o jornal e lia as matérias principais: guerras, tráfico, falta de água, segurança e serviços básicos. Tentava conversar com algumas pessoas, mas me parecia errado, era como tentar me encaixar em um tempo e um espaço não pertencentes a mim. Fiquei no apartamento sozinho pensando e não me encontrando. Fui no primeiro compromisso, um jantar com engenheiros do governo local, observei e escutei mais do que falei... O que falei estava escrito na agenda, cada vírgula era repetida, e era aplaudido. E não tinha noção de tais assuntos. Alguns pareciam me conhecer, mas não tinham intimidade. Eu parecia ser um homem recluso e muito inteligente. Voltando de madrugada para o apartamento, enquanto me despia, vi que era dia dois, porém o relógio marcava dia trinta... Estava enlouquecendo aos poucos e parecia ser preciso fazer algo para entender tudo ou estaria bem encrencado.
     Senhor Balaur, ou eu, era um homem misterioso. Nos dias seguintes fui atrás de informações para ao menos tentar encaixar peças nesse quebra-cabeça. Formado com honra em física quântica, engenheiro em “N” áreas com especializações, bolsista em faculdades pelo mundo, participante de grupos de estudo sobre tempo e espaço e mistérios do universo. Atualmente se especializando em mecânica quântica com trabalhos associados a uma empresa chamada Neclare Armata. Nada mais descobri, sobre o que era ou qual a verdade.
     A cada nova reunião, jantar ou almoço, mais dúvidas pairavam na minha cabeça, em determinado momento acreditei, por mais estranho que me fosse a ideia, que era verdade, eu era Alexander Balaur professor, pesquisador e outras coisas que nem lembrava para listar. Havia um problema: teria que me aposentar no dia trinta e um de dezembro, pois a agenda terminava suas notas aí e não poderia mentir para sempre. Os dias corriam no calendário e no relógio apenas regrediam, parecia que a cada dia tinha menos tempo para me achar...Encontrar a verdade...
     Lembro como hoje da reunião especial, eu mal sabia quem eu era mas entrei num complexo de alta tecnologia com corredores brancos, enormes salões com experiências que pareciam sair de um filme de ficção cientifica. Braços e pernas biônicas, olhos artificiais, microscópios ultra potentes, emissores de onda capazes de destruir barreiras, aceleradores de partículas. Apenas ficava repetindo " Sou Alexander Balaur... Sou Alexander Balaur... Sou um louco demente que não sabe quem é metido num laboratório de pessoas loucas...", finalmente conheci o senhor Neclare, um homem velho e quando digo velho é do tipo em que rugas o deformam, cabelos finos e ralos, mãos tremulas, porém ágeis, brincavam com uma moeda de prata girando entre os dedos e apertando conforme passava pelo polegar, olhos que me devoravam como se lessem minha alma sabendo que era um ursupador desmemoriado.
     - Muito bem senhor Balaur, vejo que chegou vivo até o dia de hoje... - Ele salivava e limpava com as costas da mão, era uma figura que também não combinava: seus olhos eram vivos mas a figura grotescamente idosa me parecia um retrato de Dorian Gray falante. - Difícil viver nos dias de hoje não é mesmo senhor Balaur, é como se fossemos pessoas diferentes... Não encaixadas nesse meio... - Ele ria tossindo e arfando, achei que ele morreria naquele momento, na minha frente, mas se recuperava e voltava a falar... - Somos todos marionetes, fantoches de carne e osso e sua pesquisa mostrará isso. Estou sendo indelicado, não é mesmo? - De novo limpava a baba que acumulava em seu lábio inferior.
     - Senhor Neclare eu... - Tentava falar algo, porém era interrompido com uma mão em meu ombro. Uma bela jovem de social, loira, alta, com um perfume delicioso e de óculos azuis fazia o gesto com o dedo indicador nos lábios gentilmente mandando eu não falar nada. Ela apontava para minha pasta onde a pesquisa estava feita. Tinha lido e relido os textos e cálculos lá contidos, mas não tinha entendido absolutamente nada. Sem o que fazer, entreguei a pasta. A jovem agradecia piscando e caminhava para o outro lado da mesa.
     - Tem coisas nessa existência, senhor Balaur, que sou tão ignorante quanto o senhor...- Tinha um tom de provocação na frase do idoso, parecia querer alguma reação que não conseguiria provocar... - Muito bem, resumidamente sua pesquisa propõe que a vida, a consciência, aquilo que nos move e pode ser apelidada de alma, espirito, chi, etc... - Ele fazia uma longa pausa como se o ar faltasse em toda sala... - Pode ser transferida, já que essencialmente ela é formada por um tipo de energia. Assim, essa energia poderia ser colocada em um lugar no espaço. E dependendo de como for aplicada a teoria, pode ser catapultada para um receptor em um intervalo de tempo... - Ele ria sozinho tossindo dessa vez se recuperando muito tempo depois... enquanto ele ainda arfava sem ar a loira silenciosamente servia um café e sorria me olhando como se fosse um menino diante a uma professora de língua estrangeira...
     Eu tomava o café observando em volta, posso dizer que o velho tinha bom gosto, peças antigas como vasos e quadros, interagindo com computadores e telões que passavam informações de todo mundo. Ouvia ao longe dois homens rindo comemorando que conseguiram estabilizar a energia criada em pleno vácuo, quando começava a entender o que eles falavam o velho homem me chamava novamente.
     - Como dizia, assim, com o receptor correto “qualquer um" poderia ser levado a um lugar e a uma época pré-determinada por um espaço de tempo, afinal estamos usurpando leis básicas de existência, ninguém foge muito tempo da verdade não é mesmo ? Mas o senhor deve saber de tudo isso não é mesmo? - Não sei como ele sabia, mas eu tinha certeza de que ele sabia que eu não era eu... Loucura pensar nisso, porém fazia todo o sentido... Eu não era eu, não tinha memórias de antes do dia primeiro, tinha um relógio que contava os dias regredindo, estava envolvido até a cabeça com um projeto insano... Mas quem realmente eu era? Por que eu voltaria especificamente para o criador da teoria que me permitiria fazer o que faço? Não fazia sentido...
     - Senhor Balaur pode se retirar agora. - A bela jovem de óculos falava num tom que arriscaria supor ser propositalmente sensual. - Por favor siga, pelo corredor sul até a saída. - Ela tocava meu rosto como um carinho ou uma despedida eterna. - Lembre-se, Alexander, todos nós cumprimos objetivos específicos e depois disso não servimos para mais nada, não prolongue algo que pode ser um sofrimento desnecessário. - Ela olhava em meus olhos, não sei se era meu desejo ou era o dela, contudo quase nos beijamos, porém ela apenas sorria e continuava. - Siga, meu caro amigo, a onda se mantém ativa enquanto se movimenta, e cuidado pois sempre há juízes e executores quando quebramos as regras.
     Ela saía me deixando apenas com seu perfume, nunca mais a vi, muito menos o velho Neclare... Tinha mais dúvidas e nada se encaixava, representei todos os dias seguintes como um manequim de carne e osso... Um teatro certamente macabro, pois cada vez que pensava que a teoria de energia poderia estar certa me sentia sujo, incomodado com tudo aquilo.
     Perto do natal, lá estava eu caminhando pela cidade, o relógio marcava exatamente dia dez de dezembro, não tinha mais ideias quando um bêbado se colocou na minha frente pedindo um trocado, porém, conforme me viu, gritou e saiu correndo. Bom, devo admitir que não era o ser mais bonito do mundo, mas aquela reação era muito estranha até mesmo para meu último mês. Evidente que como um demente corri atrás daquele mendigo, que mais parecia um maratonista, o que quer que o tenha assustado foi forte o suficiente para ele ficar quase um quarteirão à minha frente. Por sorte ou destino, depois de algumas quadras correndo o vi num beco caído.
     - Ok... Ok... Agora podemos parar de brincar de gato e rato, o que aconteceu? Você me conhece? O que eu te fiz para você fugir? - Coloquei as mãos nos ombros do homem, mas ele parecia em choque, tive que dar um tapa no rosto dele, logo ele me olhava assustado em um espanhol arrastado dizia "DIABO! eu o vi morrer, você bateu o carro... Eu vi seu corpo. DEMONIO!". - Agora eu ficava sem palavras, o homem saia de minhas mãos e corria, mas não por muito tempo. Perto do final do beco, vi como um homem alto, devia ter dois metros e meio, de social preto e chapéu de gangster pegou o mendigo, ergueu-o com extrema facilidade e foi quando o pior aconteceu: o homem alto inclinou o rosto emitindo um som agudo que quase me derrubava, enquanto via claramente uma luminosidade sair do pobre coitado e ser absorvido pelo rosto do gigante.
     Tudo girava, meu estomago estava embrulhado, iria desmaiar e não queria ser o próximo a fazer parte do banquete do homem alto. Usei o resto de minhas forças caminhei para fora do beco, passava a mão em minha testa que sangrava como se tivesse recebido um golpe forte. Rapidamente peguei um taxi e saí, ninguém mais parecia ter visto. Agora tudo se complicava e comecei a pensar : “será que Alexander Balaur estava morto e eu voltei apenas para cumprir a agenda? Seria eu tão dispensável para ser jogado em alguém morto só para entregar papéis?” era loucura... Sentia que estava enlouquecendo aos poucos.
     No dia seguinte, ia para os lugares marcados preocupado, vendo se o homem alto não me perseguia. Tive a ideia de voltar para os lugares que visitei, inclusive o laboratório que estava "fechado para reforma" senti como se tivesse levado educadamente um chute no meio do traseiro. Era natal e a cidade estava estranhamente vazia. Eu tentei tudo. É vergonhoso admitir isso, mas estava sem respostas. Revirei o flat do homem que eu habitava, nada. Bebi até cair no chão e vomitar. Tentei quebrar todos os espelhos e andar pelado pelos corredores e a única coisa que aconteceu foi uma advertência por barulho depois das onze da noite. E o que mais poderia fazer ? Preso dentro de alguém já morto, afinal não teria outra explicação para tudo aquilo e mesmo se encontrasse não saberia mais o que é verdade.
     Faltando dois dias para o ano novo, consequentemente dois dias para o dia um no relógio que era a única coisa verdadeiramente minha ou que ao menos certamente não pertencia a Alexander Balaur decidi fazer o que me restava: pular do prédio. Se fosse realmente um louco, não faria diferença. Quando estava prestes a me jogar, alguém bateu à porta. "Serviço de quarto!" Pensei duas vezes antes de atender, porém novamente batiam na porta e alertaram "Senhor é muito importante, serviço de quarto!!"... caminhei até a porta e a abri esperando o pior. Um rapaz jovem com o uniforme de empregos do flat carregava um buque de rosas brancas e uma única vermelha no meio... "Desculpe senhor tive um contratempo, com os cumprimentos do senhor Neclare. Pode assinar o papel?"… Entregava o papel que eu assinei, estranhando tudo aquilo e logo saí apressado. O buque era normal, mas o perfume era da jovem secretaria de Senhor Neclare, e tive certeza quando vi um bilhete escrito nele "Sinto muito por todos os problemas. Infelizmente não podemos te ajudar mais que isso. Caso queira dar o próximo passo e entender a acústica que move o mundo exatamente as vinte horas e quarenta minutos do dia um saia de seu quarto, corra como nunca correu vá para os braços do que realmente quer".
     Lá eu era um louco seguindo outros malucos, mas não tinha opções. Deduzi que dia primeiro seria o do relógio, portanto no dia trinta e um, faltando um minuto do horário dito, lá estava eu apenas com as roupas do começo de tudo, o relógio e preparado para tudo, ou quase. Não sabia na realidade o que poderia acontecer, portanto antes tinha arrumado o quarto da mesma maneira que encontrei, deixei a agenda da mesma maneira que a peguei, com dinheiro e cartões, na pior das hipóteses eu agradeceria essas preocupações.     Quando deu o horário, abri a porta, meus ouvidos doeram no mesmo segundo, olhei para o lado e na outra ponta do corredor, vi o homem alto e comecei a notar seu rosto. O que posso dizer? Ele não o tinha. Havia apenas um borrão disforme como o grito constante de eterno pavor que emitia. Ao me ver ele se apoiava nas paredes do corredor e caminhava com dificuldade por ser grande demais. O corpo dele era monstruoso e às vezes tremia todo como uma convulsão ou um erro na frequência. Evidentemente não fiquei parado observando, repetia: “não serei seu jantar”. 
     Instintivamente, corria para o lado contrário e ia para as escadas de emergência, descia saltando os degraus. Era inaceitável, depois de tudo que vivi esse mês, que eu ainda não conseguisse entender nem um terço do que estava acontecendo. Uma corrida cega para tentar achar respostas. Ouvia meu amigo alto gritar novamente, dessa vez os corrimões tremiam, parecia um terremoto, faltava ainda dois andares até a entrada dos flats, mas não tinha escolha continuava. No último andar, eu não conseguia aguentar e tropeçava e rolava pela escada, ouvia o braço deslocando e o ardor logo se transformando em dor pura. Não podia parar e corria para saída. Trombava com o mensageiro que tinha me entregado as flores, ele praguejava xingamentos e me olhava "Déjà vu, novamente o senhor correndo pelo saguão... "Não escutava mais nada, atravessava a porta e lá encontrava um carro esporte. Bom, se é para fugir, ou morrer, de um monstro alto, que seja com estilo, roubando o carro, acelerava sem olhar para nenhum lugar... "Senhor por favor indique o destino..." Eu estranhava, o braço ardia, mal conseguia trocar as marchas... " senhor por favor indique o destino..." a voz feminina robótica novamente pedia, o GPS ligado, sem pensar gritava.
     - Retorne ao ponto de partida!!! Ela prontamente dizia "Destino traçado, faça uma boa viagem." Após isso o radio ligava e um rock começava a tocar. Seguia as instruções do GPS até sair da cidade e cair em uma rodovia onde poderia acelerar.
     Agora com os fogos brilhando anunciando o novo ano vejo meu destino perto. Sou um homem passado, sem futuro, sem rosto apenas com a certeza que devo encontrar algo... Algo que valha a pena, não apenas um fantoche para entregar uma porcaria de agenda. Quero algo mais.
     Nesse último segundo vi no meio da estrada e juro que ele estava sorrindo, o homem alto. Estava com as roupas em farrapos, seu chapéu completamente torto, ele abria os braços e iria ficar no meu caminho à minha direita, o fim da estrada e um penhasco. Conseguia ouvir o mar, como é bom o mar, o homem alto grita, mas não me acerta já tinha girado o volante e o carro caia pelo penhasco, não sentia mais meu corpo, estava leve e agora parecia certo. Apertava o relógio contra meu peito e sorria, seus ponteiros chegavam ao zero. O corpo perdia peso e o ar assobiava alto, um brilho intenso tomava conta de tudo. Devo ir entender a acústica do mundo, devo continuar a seguir e entrar na onda e descobrir tudo, a verdade... Ou quem é a verdade...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Escolha...



" Minha cria
Doce pequena
Menina safada
Gata a miar...

Brinque com o novelo
Sorria e ronrone
Corra por ai
Se jogue nos meus pés...

Feliz role pela cama
Arranhe com ternura
Olhe curiosa
Deseja seu dono...

Faça manha
Indo e vindo
Prove todo esse velho
Que te cria tão bem...

Coce as orelhas
Se diverta com seu brinquedo
Balance a cauda
Que levada...

Empine e mantenha
Sinta os cordões 
A guia apertada
Seu corpo todo queimar...

Em minha trama
Vou te prender
Sentirá meus toques
Brincará em meu jogos...

Prendo,cultivo, moldo
Abuso, trato, busco limite
Sinto seu sabor e sua vontade
Sinta meu querer e minha fome...

Felina provocante
Venha
Peça carinho
Tome seu leite...

Olhe para os lados
Com jeito safado
Venha até mim
Conquiste seu espaço...

Durma tranquila minha gata
Abrace menina safada
Beije me doce pequena 
Me tenha minha cria...

Cuido
Acolho
Desejo
Possuo... "


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Não me sinto hoje . . .


" Não me sinto assimNão estou mal... 
Apenas não estou vendo
  as maravilhas da vida... 
Como um cego 
sem ver as verdades... 

Não posso lamentar
Nem reclamar
Muito menos me arrepender
Apenas devo continuar...

Sentir algo melhor
A musica a tocar
Uma nova forma de ganhar
Mesmo derrotado como sempre...

Hoje pode ser um novo dia
Ou um dia como qualquer outro
Posso ser o grande vencedor
Ou o lixo de sempre...


O que adianta ?
Ganhar ou perder
Ser o melhor ou o pior 

Continuarei vivo, sofrendo, dia após dia...

Tento me convencer
Sou um bom homem
Merecedor do melhor
As dificuldades sumiram...

Quantos dias ruins são necessários
 para que um bom homem desista ?
Quantas quedas são necessárias
 para que não se levante mais ?
Quantas derrotas são contadas 

 para convencer o mau jogador?
Quantos cortes são necessários
 para que a dor acabe ? 


Dèjá-vu amor
Sente  e vamos beber
Nos perder nesses copos
Traga mais gelo, a noite é tão curta...

Não sei se sou um bom homem
Muito menos se valho a pena
Sempre pesado, trocado, amargado
Sempre com essas sombras a rodear...

Vamos combinar pequena 

Apague a luz
Feche as cortinas
Por essa vida já basta de tanta derrota... 


Vamos fume comigo
Se sirva com minha melhor bebida
Dias difíceis são sempre complicados
O que me mata que todos são assim...


Pequena não me sinto hoje
Um vazio tão forte
Nem calor e muito menos frio
Apenas um nada... Um nada sem vida

Quem sabe é a ultima dança ?
O ultimo canto do pássaro ?
A ultima caçada desse velho lobo...
... Que seja a melhor,
 quem sabe um dia não tão ruim..."

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sedutora...


9 musas...



" Mulher sedutora
Doma com a voz
Me prende e amarra
Doces palavras
Safados termos
Minha Calíope
Sussurre ofensas entre elogios
Verdades declarada

Imundas e belas...

Grite e gema
Mie e agrade
Arranhe e contorça
Deixe todos avisados
Que sou seu, unicamente seu
Minha Clio em êxtase
Proclamando amores
Proferindo xingamentos

Lábios mordidos, doce gozo...

Toque e acaricie
Contorne e retome
Em meu leito
Pose de minha vontade
Domadora de minha fome
Agradável Erato
Amável e romântica
Em suas juras adentro o labirinto

Esperanças tolas, tão vãs...

Meu prazer perdido
Minha Succubus Rubra
Diamante belo
Rubi de sangue enlouquecedor

Entorpece meus sentidos
Único prazer
Euterpe que atiça o monstro
Desperta meu pior
O lago mais fundo, tormenta imoral...


Meu passado em versos
Fantasmas vivos
Venha me visitar Melpômene
Trame meus erros
Ostente meus fracassos
Quantos desejos, quebrados
Quantos sonhos, afogados em mim
Oportunidades cuspidas 

Negrume sujo em minha vida

Em seu terço
Dadiva de pecados
Encontre minha fome, fonte
Repetição, angustia, dor cheia de prazer
Reze Polímnia
Em seu sacro pensamento
Em sua oração profana
Mãos a dedilhar
Momento solitário, menina e mulher... 


Me faça sorrir
Minha doce amada
Querer que não desaparece
Pensamento antigo
Lembrança encontrada
Tália de meus momentos tristes
Magica a conseguir
Arrancar um sorriso
Mesmo que único...


Em um belo strip
Me seduza
Deixe o homem caído
Um menino em seu salto
Rebole, requebre, olhe
Sue e ande
Cabelos em giros
Terpsícore dançando
Insana vertente de querer...

Meu tudo
Você minha fome
A caça desse velho lobo
Dono a possuir
E professor a ensinar
Um bom homem
Você é meu tudo, como Urânia
Celestial
Minha vontade, meu pecado, pensamento..."


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Desafio...


Aqueles que me acompanham aqui está...
Esse humilde ser está participando de um concurso de contos...
12 contos em 12 meses...
O primeiro já está pronto saído do forno... esperando a data de publicação 30/01...
Devo agradecer a todos que me apoiam para continuar... Me criticam e estimulam a ser melhor.
Espero que gostem... 
Outros participantes listo aqui em baixo...
Que o desafio comece...

Os Blogs dos participantes são:

http://conversasdealcova.com
http://academialiterariadf.blogspot.com.br/
http://literafeto.blogspot.com.br/
http://www.klaryan.com
http://Umnovo-roteiro.blogspot.com
http://cafemacaca.blogspot.com.br/
http://www.devaneiosdepapel.com.br/
http://www.literamusicas.com
http://casadeagoras.blogspot.com.br/
http://aconstantinobrandao.blogspot.com.br/
http://ashra0arok.blogspot.com.br/
http://sem-roteiros.blogspot.com.br/
Pandinando
http://sonhosdealkemy.blogspot.com.br/
http://www.maisumblogsobrelivros.com
http://porumlivronavida.blogspot.com

Vê . . . ?



" Vê ?
Sou esse monstro
Disforme e perdido
Uma figura horrenda...

Um homem
Sofrido, amargurado
Moído, massacrado, dilacerado
Retrato desfocado, foto em negativo...

Sobrevivendo
Triste
Empurrando tudo
Todos...

Conselheiro e consciência
Ninguém quer escutar
Não há interesse
Para que ouvir outros problemas...

Coração partido
Amargo fim
Guerreiro ferido
Sangrando, sem cuidados, sem parceiro...

Engraçado é servir a todos
Mas estar cercado de solidão
Um lobo deixado para trás
O omega, ferido, esperando a morte...

Monstro caminhando pelos cantos
Figura desforme
Tantas cicatrizes
Tantas formas de decepcionar...

Peso do mundo
Ridículo Atlas 

Acha que pode aguentar
Ser herói... Que piada...


Sonhos quebrados
Cada caco encravado
Na alma, na esperança
Infeccionando a cada novo dia...


As vozes que não se calam
Eu me transformei nessa piada
Nessa galhofa maldita
Canto obscuro...

Agora que já viu
Vá e me deixe
Ninguém pula no lago, é fundo
Ninguém encara o monstro, quanto mais

...ama-lo..."

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sacudir...





“Você me ergue
Mas me derruba , tão fácil
Arranca meu melhor
E o meu pior, meu monstro
Minha doce Succubus Rubra
Você sabe domar minha fera
Como ninguém...

Você tão docemente me prova
Come, mastiga, saboreia
Sacia seus gostos com o meu
E agora estamos assim
Eu te olho
Minha amada me olha
E ficamos sem saber o que fazer...

Pode ser o melhor
Ou o melhor não exista
Todos os caminhos são “coração”
Então devo lutar, continuar
Quem sabe em um desvio
Esse caminho se volte pra mim
E possamos ser apenas felizes...

Mas tantas vezes me pego assim
Parado completamente sem chão
Travado
Tropeçando em meus próprios pés
Que loucura é essa
Me sinto tão perdido longe
Ainda existo, mas falta algo
Uma parceira de armas
Cúmplice eterna...

Mesmo que seja um dia
Ou apenas algumas horas
Volte para mim
Devolva minha base
Minha confiança
A esperança de amar
Um foco para ir
Minha estrela a guiar...

Me arranca as bases
Faz ter prazer em respirar

Porém se não for voltar
Arrance meu coração
Não deixe sobrar nada
Pois por mais que continue
É assim que vou me sentir
Com um enorme vazio
Só você consegue me sacudir...” 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nowhere . . .



" A quem quero enganar ?
Para onde posso ir ?
Que lugar seria o meu ?
Quem amaria um monstro, como eu...


Tudo que toco apodrece
Um Midas invertido
Ouro dos tolos
Simplesmente o próprio tolo...

Recusado no inferno
Por ser bom, certo, conselheiro
Chutado dos céus
Ser um puto, tarado, pervertido...


Caminho perdido
Sem lugar para voltar
Sem traço de existência
Um fantasma a vagar...

Cansado de todo dia
Ofertar flores... Carinhos
Receber tapas e ofensas
Que vida é essa, pobre existência...

Posso correr
Não tenho para onde ir
Nem como me esconder
Apenas continuo para lugar nenhum...


Sem perdão
Maldito vadio
Incompetente

Lixo...

Lagrimas que não servem de nada
Como a própria luta
Crença em algo inexistente

Fé ridícula...

Sou um monstro
Quem vai amar ?
Quem  vai aceitar ?
Quem vai desejar?

Olho para minhas mãos
Sujas
Feias
Inábeis...

Agora vá
Deixe-me aqui
Sozinho e amargo
Em lugar nenhum... "



  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Menina de fogo...



" Belo fogo
Queima
Altera

Muda...

Dama de vermelho
Provocante 

Menina abusada
Em sua aura de Lolita...

Todo prazer contido
Um olhar
Devorador
Enlouquecedor...

Afie suas garras
Em mim
Nas minhas costas
Brinque comigo...

Venha pequena felina
Cace com suas vontades
Permita o transbordar
De sua louca luxuria...

Engatinhe
Rebole
Traga seu presente
Entre os dentes, sorria com malicia...

Como não ensandecer

Com tanta beleza
Tanta fome
Devoção deliciosa...

Menina levada
Aprontando com meu coração
Inunde meu querer
Transforme minha vontade...

Bruxa jovial
Encante esse tolo lobo
Cante como uma sereia
Me consuma, Succubus Rubra...

Queime minha pele
Arda comigo
Em pleno ápice
Êxtase único... 


Altere minha realidade
Retira minha sanidade
Busque meu monstro
Desperte o lobo velho e faminto...


Mutante
Menina mulher
Pura e sádica
Devota e Lolita...


Faça tudo ferver
Sã febre
Simples borboletas no estomago
Fogo de desejo, de fome... de amor..." 



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Repetição...




" Quebrado
Jogado
Perdido

Sabor de amargo...

Aqui estou
Nessa queda
Um pássaro
Com as asas quebradas, novamente...

Ícaro
Em tola espiral
Chamas no corpo, esperança rasgada
Brilho intenso consumido...

Estou nessa reza
Não para morrer
Mas sim para parar de doer
Nunca mais o amargo me corroer...

Brinquedo quebrado
Sem interesse
Apenas um bolo de fios
E a marionete lá, encostada, imóvel...


Não me diga
Nem use o passado
Sou eu aqui
Vivo e sentindo... Nada é no passado...

Sou um livro todo
Não uma pagina a virar
Uma arvore frondosa
Não pode apenas me quebrar...

Em um labirinto de pensamentos
Tantos transtornos, contornos, vícios
Vozes a ofender, culpar, acusar
Dento de mim, faça elas pararem

Me interne no mais fundo calabouço
Me prenda, não permita
Sou apenas um lobo machucado
Um velho louco sem uma casa, sem nada

Trilha suja
Escura, perdição de tantos anos
Historia reescrita
Novos começos, lindos meios, tristes fins...


Parece que sempre tem que terminar
O bobo nunca será rei
O guerreiro  caído em sua fé
O conselheiro sem palavras... mudo...

Não me olhe assim
Não chore, faço isso pelos dois
Não me diga nada
Ainda escuto as juras e os carinhos...

Quebrado
Cada osso, sentimento
Pensamento e sonho
Cacos espalhados... despedaçados...


Jogado agora nas memorias
Tantos fantasmas
Tantas frases e sons
Musicas a combinar... Todas azuis...

Perdido em seus braços
Agora me faça ir
Queime até os osso
Não deixe sobrar nada...

Sabor amargo dessa vida 
Sempre tao triste
Solitária... Sozinha
Agora e novamente, amargo..."



domingo, 11 de janeiro de 2015

Tormenta...




" Não sei se conseguirei
Novamente testado
Jogado a tormenta
Quantas mais serão necessárias...

Navegando tanto tempo
Indo e vindo
As cegas ou plenamente consciente
Continuando...

Tantas provas já realizadas
Perdidas na areia do tempo
Todas já sem valor
Ouro de tolo...

Caminho como homem
Olhar e rosto erguido
Mas dilacerado
Derrotado no pior momento...

Navego nessas tramas
Pergunto até quando o pequeno barco
Aguentará
Resistirá o que virá...

Sozinho novamente
Não busco mais o farol
De momento apagado, dentro de si
Caminho distante...

Sinto vontade de soltar o timão
Cair no mar sem proteção
Permitir raios e trovões
Cortarem os céus, sonhos, destinos...

Não sei se consigo
Novamente em uma tormenta
Novamente sozinho
Novamente navegando em noites...
... interináveis..."

sábado, 10 de janeiro de 2015

Esvai...



Convite...




Dualidade...



" Encontro você em meus mais lindos sonhos
Nos mais densos pesadelos
Luxuriosos pensamentos
Venha saciar minha fome...

Busco, faminta por seu toque 
Ouço sua voz me chamar
          Em meus pensamentos
          Mais pecaminosos...

Dança deliciosa
Olhos vendados
Espadas a brandir
Laminas a rasgar, véu caído... 

Tua voz é um guia
Mãos a segurar
           Coleira inexistente
           Coração enraizado, devoto...


Parceiros de armas 
Em uma batalha eterna 
Como o amor imortal 
Vivo, intenso, sagaz, fluido...

Contra ponto delicioso
Costas com costas
            Até o fim dos dias
            Parceiros, amantes, amados...

Caminho partilhado
Caçador e caça
Amazona e herói
Rainha e tolo da corte...

Em suas mãos estou entregue
Em seus desejos sou barro a ser moldado
             Seus dedos hábeis a dedilhar o diamante
             Lapidar incorreto, educar, ensinar a viver...

Fome minha e sua
Loucura secreta
Poço de segredos
Busca simbiótica...

Caçadora a te encontrar
Succubus que te deseja
         Escolhe seu enlace 
         Seu mais puro e safado prazer para alimentar..."


Amargo Sonhar...



" Doce pesadelo
Sonhar que não acordo

Possuído por uma vontade 
Tanta pervertida fome...

Observando todos
Festa ou comemoração
Uma simples consagração
Coleira posta rito a cumprir...

Juras ou palavras
Apenas um Enlace
Congruência pecaminosa
Simbiose amada, amante...

Forma complementar
Pensar
Sentir
Querer e luxuriar...

Dança com laminas 

Sangue
Suor
Prazer pingado, sujo, casto...

Boca aberta
Voz muda implorando
Desejo reservado
Olhos famintos, perdidos, entregues...

Veja meu pior lado
Meu monstro mais pervertido
Sujo e imundo 

Aquele que todos fogem, ninguém quer... 

Agora é guiada
Cuidadora de mim
Seu dono, seu tesouro, seu mestre...
Uma troca justa...

Sonho pervertido
Apenas em olhares
Corpos nus se amando
Na frente de todos, apenas olhares...

Somos completos
Punho e coleira
Desejo e entrega
Querer e devoção, um homem e uma mulher...

Somos uno
Integrados
Unidos
Felizes...


Amargo Sonhar
Pesadelo que acordo para viver

Vontade que me queima e arde
Fome pervertida, tanta e incontrolável... Sua..."

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sins . . .



" Entro nesse poço
Todos meus pecados
A mostra
Abertos como grandes feridas
Vontades e anseios
Malditos quereres, proibidos
Mente insana a implorar mais
Vicio em um vazio
Tormenta longa...

Fome que consome
Gula deliciosa
Nunca saciada
Nem será
Alimente esse monstro
Perca sua humanidade
Acompanhe nessa dança
Sou um devorador de pecados...

Quero tanto
Tantas coisas
Perdidas e encontradas
Esquecidas e deixadas
Invejo
Ossos que ardem
Doem, músculos que contraem
Caminho sem volta...

Mãos habilidosas
Nada fazem
Mente agitada
Tempestade e espiral
Porem o corpo não sai
Não responde
Grito agudo, silencioso...

Nem com meu melhor terno
Nem com o melhor perfume
O monstro será diferente
Mascaras sobre mascaras
Labirintos
Emaranhados, tantas mentes
Tantas mentiras... 


Sim me odeio
Não suporto essa existência
O não encarar a face
Esquecer de quem realmente é
Não por medo
Mas desespero
Raiva de ser um verme
Um nada, somente nada...

Precipício
Ponto sem volta
Limiar da loucura
Fio de prata
Salvação ou simples danação
Um ultimo folego para o morto
Um suspiro traidor
Dadiva questionadora
Redemoinho de pecados..."


domingo, 4 de janeiro de 2015

Circo . . .



" É nesse picadeiro
Que morro a cada dia
Dia apos dia
Maldito dia...

Olho para o redor
Veja como é belo o espetáculo
Como é belo a carnificina
Quando minha mente me culpa, sempre...

Vejam esse picadeiro de derrotas
Todos a rir
Tormenta de maldições
Felizes ? Sempre um herói cai na serragem...

Minha trupe de falsas mascaras
Sorrisos e afagos
Tristezas engolidas
Engasgo de um grito de angustia, profunda...


Rasgue minha pele
Que o chicote vibre
Meus pecados são muito maiores
No fim não sou um mau jogador...


Anuncie que o palhaço chegou
Vamos todos nos iludir
Esqueçam que ele chora
Sente, vive, sofre... Vamos rir do tolo palhaço...


Um magico lento
Ditando seus movimentos
Sem coelhos da cartola
Sem espadas a errar, apenas a acertar...


Nesse cabaré de virtudes
Sonhos desgastados
Dança mal decorada
Esse é o circo, a vida...

Trapezista em pleno salto
Sem rede
Sem rumo
Sem glamour...

Comam doces
Aproximem para a queda
O grande leão vai devorar
O já cansado gladiador...

Sangue e serragem
Suor e tristeza
Triste vida, amarga existência
Nesse circo, cemitério aberto...

Aplaudam
Parem de mentir
Isso é o que vocês queriam
Sangue na serragem, o tolo herói caído..."


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Caixinha de musica...



" Minha vida assim
Uma caixinha de musica
Melodia repetida
Um sem fim
De mesmas notas
Mesmas voltas
Melancólica beleza
Entre doces sonhos
Engavetados, jogados as traças
Afinal a esperança sempre é esquecida

Giro perdido
Sempre em busca de algo

Uma salvação
Um apoio
Apenas um motivo
Minha vida é assim
Uma caixinha de musica
Tantas voltas e giros
Rodopios sem sair do lugar
Corrida sem chão
A musica que guia
É aquela que nubla,entorpece
Vezes alegria, tantas vezes sem vida
Triste dança
Bailarina solitária
Em busca da nota que nunca virá
Do par que nunca a segurará
Do refrão libertador
De uma caixinha de musica
Que é minha vida..."

domingo, 21 de dezembro de 2014

Me calo. . .




" Me calo 
Sinto emudecer
Sentir s boca travar
Tristeza sem fundo
Um mastigar de filetes
Um engolir de sapos 
Maldição de ver e não pronunciar
Calo meus pensamentos
Minhas angustias
Meus quereres imundos
Sujos como minhas falas
Encardidos como minhas linhas
 Um maldito conselheiro
Mudo
Calado
Ensandecido
Torpe sensação
Que no fim trava a voz 
Olhar o sangue nas mãos
O ferro na boca
Punho contra o rosto
Roxos, gangrena em plena vida
Me calo
Sinto a voz sumir na garganta
Tristeza na beira desse precipício
Amargura de continuar
Dar o passo e não cair
Enfrentar a morte e ser recusado
Sempre...

As vezes me calo
E sempre me calam..."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nevasca...




" Meus pés tocam o chão
Estou flutuando
Perdido
Em um mar de sentimentos...

Como posso reagir
Se estou aqui
Com as mãos atadas
O coração trancado com sete chaves...

Caminho tão nublado
Céu escuro em meio da tormenta
Meu ponto de fuga
Agora longe, distante...

Meus olhos já não focam
Essa neblina me cega
Me faz perder a existência
Duvidar de meus valores... Meus quereres...


Rumo sem mapa
Trilha sem bussola
Mar sem carta
Voar em plena tempestade só no visual...

Posso ir devagar
Remar e remar contra a maré
Dirigir sem nenhum combustível
Isso não vai me deter, não vai segurar...

No meio dessa nevasca
Sinto meu corpo congelar
Cada membro a queimar
Meu coração a resistir, se manter...


Busco o raiar do Sol
O oásis no meio do deserto
A ilha nesse oceano de trevas
O tom certo nessa aquarela...

Vou continuar
Pé depois de pé
Nesse caminho tortuoso
As vezes amargo, as vezes doce..."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Levado balanço...




"Levado balanço
Que vem
Me traz
Me faz...

Fome desperta
Em simples
Gesto
Maldita inocência...

Doce ir
Pervertido vir
Sede inconseqüente
Desse provocar...

Brincadeira
Sedutora
Olhar quente
Corpo em brasa...

Gangorra de desejos
Cheia de prazer
E das mais
Devassas intenções...

Maldosa arte
Ir e vir
Prender
Pender...

Atiça o caçador
Corre e se esconde
Provoca e rasga as vontades
Grita, geme, chama e enlouquece...

Balanço levado
Leva minha sanidade
Traz esse meu monstro
Prestes a devorar...

Ir e vir
Subir e descer 
Louca vontade
Nesse balanço levado..."